Comunhão Espírita Cristã Auta de Souza

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HONRAI VOSSO PAI E VOSSA MÃE 01/11/2011

Filed under: Uncategorized — CESPCAS @ 18:29

(20/11/11 – 22/11/11 – 30/11/11)
HONRAI VOSSO PAI E VOSSA MÃE
Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. XIV – itens 1 a 8

 

1. Vós sabeis os mandamentos: não cometereis adultério; não matareis; não roubareis; não dareis falso testemunho; não fareis mal a ninguém, honrai vosso pai e vossa mãe. (Marcos, 10:19; Lucas, 18:20; Mateus, 19:19)

 

2. Honrai vosso pai e vossa mãe a fim de viverdes por muito tempo na Terra que o Senhor vosso Deus vos dará. (Decálogo; Êxodo,20:12)

 

PIEDADE FILIAL

3 O mandamento “Honrai vosso pai e vossa mãe” é uma decorrência da lei geral de caridade e de amor ao próximo, pois não podemos amar ao nosso próximo sem amar a nosso pai e a nossa mãe. Porém, a palavra honrai encerra um dever a mais para com eles: o da piedade filial. Deus quis mostrar que ao amor é preciso acrescentar o respeito, as atenções, a submissão e a concordância, o que resulta na obrigação de fazer aos pais, com maiores cuidados, tudo o que a caridade ordena para com o próximo. Este dever se estende, naturalmente, às pessoas que assumem o compromisso de pais, e que tão maior mérito, terão quanto menos obrigatório for o seu devotamento. Deus sempre pune de uma maneira rigorosa toda violação a este mandamento.

 

Honrar pai e mãe não é apenas respeitá-los, é também ajudá-los na necessidade; é proporcionar-lhes o repouso em seus dias de velhice e rodeá-los de atenções como fizeram conosco em nossa infância. Principalmente para com os pais sem recursos é que se demonstra a verdadeira piedade filial. Acaso julgam que cumprem este mandamento aqueles que pensam estar fazendo muito, dando-lhes apenas o necessário para que não morram de fome, enquanto eles mesmos não se privam de nada? Deixando-os nos piores cômodos da casa, só para não deixá-los na rua, enquanto reservam para si o que há de melhor e de mais confortável? Menos mal, quando não o fazem de má-vontade, obrigando os pais a viverem o resto de suas vidas fazendo os trabalhos de casa! Caberá aos pais, velhos e fracos, serem os servidores dos filhos jovens e fortes? Sua mãe, ao embalá-los no berço, cobrou-lhes o leite com que os alimentava? Contou suas vigílias quando estavam doentes e passos que deu para lhes proporcionar o de que tinham necessidade? Não, não é só o estritamente necessário que os filhos devem a seus pais pobres; devem-lhes também, enquanto puderem, as pequenas doçuras dos agrados, as atenções, os cuidados carinhosos, que são apenas a retribuição do amor que receberam, o pagamento de uma dívida sagrada. Essa é a única piedade filial aceita por Deus.

 

Infeliz daquele que esquece o que deve aos que o sustentaram em sua infância, que, com a vida material, deram-lhe a vida moral e muitas vezes se obrigaram a duras privações para assegurar seu bem estar. Infeliz do ingrato, porque será punido com a ingratidão e o abandono; será atingido em suas mais caras afeições, algumas vezes já na vida presente, mas, com toda a certeza, numa outra existência, em que sofrerá o que fez os outros sofrerem. Alguns pais, é bem verdade, descuidam-se dos seus deveres, e não são para seus filhos o que deveriam ser. Cabe a Deus puni-los e não aos filhos. Não cabe a estes censurá-los, porque talvez eles mesmos merecessem que assim fosse. Se a lei de caridade estabelece pagar o mal com o bem, ser indulgente para com as imperfeições dos outros, não maldizer seu próximo, esquecer e perdoar as faltas, até mesmo amar aos inimigos, quanto maior não é esta obrigação em relação aos pais! Os filhos devem, portanto, tomar por regra de conduta para com os pais todos os ensinamentos de Jesus para com o próximo, dizendo a si mesmos que todo procedimento reprovável em relação a estranhos é ainda mais condenável em relação aos pais, e o que pode ser apenas uma falta no primeiro caso pode, no segundo, considerar-se um crime, porque à ingratidão junta-se a falta de caridade.

 

4 Deus disse: Honrai vosso pai e vossa mãe, a fim de viverdes por muito tempo na Terra que o Senhor vosso Deus vos dará; por que então promete como recompensa a vida na Terra e não a vida celeste? A explicação se encontra nestas palavras: “que Deus vos dará”, que foram suprimidas na forma moderna do Decálogo* e por isso alteram-lhe completamente a significação. Para compreender estas palavras, é preciso voltar às idéias, aos pensamentos dos hebreus naquela época em que foram ditas. Como não sabiam nada sobre a vida futura, sua visão não se estendia além da vida corporal; deviam, portanto, ser impressionados mais com o que viam do que com o que não viam. É por isto que a mensagem de Deus lhes fala numa linguagem ao alcance do que podiam compreender, como se falasse a crianças, e lhes faz uma promessa que poderia satisfazê-los. Eles estavam ainda no deserto; a terra que Deus dará a eles é a Terra da Promissão, objetivo de seus desejos. Eles nada desejavam além disso e Deus lhes diz que viveriam lá por muito tempo, ou seja, que eles a possuiriam se cumprissem seus mandamentos.

Mas, quando da vinda de Jesus, as idéias deles já estavam mais desenvolvidas e o momento de lhes dar um alimento menos grosseiro era chegado. Ele os inicia na vida espiritual dizendo: Meu reino não é deste mundo; é nele, e não na Terra, que recebereis a recompensa das vossas boas obras. Com estas palavras, a Terra da Promissão passa a ser uma pátria celeste; assim, quando lhes recomenda o respeito ao mandamento: Honrai vosso pai e vossa mãe, já não é mais a Terra que lhes promete, mas sim o Céu. (Veja nesta obra Caps. 2 e 3.)

 

QUEM É MINHA MÃE E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS?

5. Chegando a casa, lá reuniu-se uma multidão tão grande de pessoas que nem mesmo puderam completar sua refeição. Quando seus parentes ouviram isto, saíram para o prender, pois diziam: Ele tinha perdido o espírito*. Entretanto, sua mãe e seus irmãos chegaram, ficando do lado de fora, e o mandaram chamar. O povo estava sentado ao seu redor, e disseram-Lhe: Vossa mãe e vossos irmãos que estão lá fora vos chamam. Mas Jesus lhes responde: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E olhando para aqueles que estavam ao seu redor: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; pois quem quer que faça a vontade de Deus é meu irmão, minha irmã e minha mãe. (Marcos, 3:20 e 21, 31 a 35; Mateus, 12:46 a 50)

 

6 Certas palavras ditas por Jesus soam estranhas, parecendo contraditórias com sua bondade e sua inalterável benevolência para com todos. Os incrédulos não perderam a oportunidade de fazer disto uma arma, dizendo que Jesus se contradizia. Um fato irrecusável é que sua doutrina tem por pedra angular, por base principal, a lei de amor e de caridade; não poderia destruir de um lado o que tinha estabelecido do outro, de onde é preciso tirar esta conseqüência rigorosa: que certos ensinamentos estão em contradição com aquele princípio básico porque as palavras que se Lhe atribuíram foram mal reproduzidas, mal compreendidas, ou nem são d’Ele.

 

7 Causa estranheza, com razão, Jesus mostrar neste caso tanta indiferença para com seus parentes e, além do mais, renegar sua mãe. Em relação a seus irmãos, sabemos que nunca tiveram simpatia por Ele; espíritos pouco avançados, não compreendiam sua missão.

A conduta de Jesus, conforme entendiam, era esquisita, e os seus ensinamentos não os tinham convencido, já que nenhum deles tornou-se seu discípulo. Parece que, até certo ponto, partilhavam das prevenções dos inimigos d’Ele. O fato é que eles O tinham mais como a um estranho do que como a um irmão, quando se apresentava em família, e São João afirma positivamente: Não acreditavam Nele. (Veja João, 7:5)

Quanto à sua mãe, ninguém poderá contestar sua ternura para com o filho, mas é preciso deixar claro que também ela parecia não fazer uma idéia muito exata de sua missão, pois, ao que se sabe, nunca seguiu seus ensinamentos, nem lhes deu testemunho, como fez João Batista. A atenção maternal era nela o sentimento dominante. Quanto a Jesus, supor-se que houvesse renegado sua mãe seria desmerecer-Lhe o caráter; tal pensamento não pode ser d’Aquele que disse: Honrai vosso pai e vossa mãe. É preciso, portanto, procurar um outro significado para estas palavras de Jesus, quase sempre encobertas sob forma simbólica.

Jesus não perdia nenhuma ocasião para dar um ensinamento, aproveitou, então, a chegada de sua família para estabelecer a diferença que existe entre parentesco corporal e parentesco espiritual.

8 Os laços de sangue não determinam necessariamente os laços espirituais. O corpo gera o corpo, porém o Espírito não é gerado pelo Espírito, porque já existia antes da gestação do corpo. Não foram os pais que geraram o Espírito de seu filho, eles apenas forneceram-lhe um corpo carnal. Além disso, devem ajudá-lo no seu desenvolvimento intelectual e moral para fazê-lo progredir. Os Espíritos que encarnam numa mesma família, principalmente como parentes próximos, são quase sempre ligados por laços de simpatia, unidos por relações anteriores, que são demonstrados na afeição mútua durante a vida terrena. Pode acontecer, também, que esses Espíritos sejam completamente estranhos uns aos outros, separados por antipatias igualmente anteriores, que se manifestam por suas aversões na Terra, e elas servirão de provação entre eles.

Portanto, os verdadeiros laços de família não são os da consangüinidade, mas sim os da simpatia e da afinidade de pensamentos que unem os Espíritos antes, durante e depois da encarnação. É assim que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito do que se o fossem pelo sangue. Eles se querem, se procuram, sentem prazer em estar juntos, enquanto dois irmãos consangüíneos podem repelir-se, como aliás se vê todos os dias, questão que só o Espiritismo pode explicar pela pluralidade das existências. (Veja nesta obra Cap. 4:13.)

Há, portanto, duas espécies de famílias: as famílias por laços espirituais e as famílias por laços corporais. As primeiras, duráveis, se fortificam pela purificação e prosseguirão no mundo dos Espíritos, por meio das muitas migrações da alma; as segundas, frágeis como a própria matéria, acabam com o tempo e, muitas vezes, se desfazem moralmente já na existência atual. Foi isto o que Jesus quis ensinar naquele momento dizendo aos seus discípulos: Eis minha mãe e meus irmãos, ou seja, minha família pelos laços do Espírito, pois quem quer que faça a vontade de meu Pai que está nos Céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

 

A hostilidade de seus irmãos está claramente expressa no relato de São Marcos, que diz terem eles a intenção de prender Jesus sob o pretexto de que estava fora de si*. Jesus, informado da chegada de seus parentes e sabedor do que pensavam a seu respeito, aproveita a oportunidade para transmitir aos seus discípulos o ensinamento sobre o ponto de vista da família espiritual: Eis meus verdadeiros irmãos, e, como sua mãe se achava entre eles, generaliza o ensinamento. Não devemos de nenhuma forma entender, entretanto, que sua mãe, segundo o corpo, não Lhe era nada como Espírito, ou que tinha por ela indiferença; sua conduta, em outras ocasiões, comprova suficientemente o contrário.

 

* N. E. – Decálogo: os Dez Mandamentos bíblicos da Lei de Deus. (Veja Êxodo, 20:12.)

* N.E. – Perdido o Espírito: estava louco

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